1. Conservação e manejo ex-situ.


Mariana Tolentino Bento da Silva, João Vitor Campos e Silva, Andressa Barbara Scabin, Jaqueline Rizzi, Fortuna, Marina Anciães, Erik Johnson, Phil Stoufer,   Maria Uriatre
SOBREVIVÊNCIA DE AVES FRUGÍVORAS EM FRAGMENTOS DO PDBFF (PROJETO DINÂMICA BIOLÓGICA DE FRAGMENTOS FLORESTAIS) NA AMAZÔNIA CENTRAL

Maria das Dores Correia Palha, Alanna do Socorro Lima da Silva, Jamile da Costa Araújo, Ana Sílvia Sardinha Ribeiro, Cláudio Douglas de Oliveira Guimarães
PARÂMETROS REPRODUTIVOS DE MUÇUÃS (Kinosternon scorpioides Linnaeus, 1766) EM CATIVEIRO SUBMETIDOS A DIFERENTES PROTOCOLOS ALIMENTARES

Anndson Brelaz Oliveira, Paulo Cesar Machado Andrade, Hugo Ricardo Bezerra Alves, Midian Salgado Monteiro, Cléo Carvalho Ohana
CRIAÇÃO DE QUELÔNIOS (PODOCNEMIS SPP.) EM TANQUE-REDE POR COMUNIDADES DO MÉDIO E BAIXO AMAZONAS.

Natalia Inagaki de Albuquerque, Áurea Linhares Martins, Igor Chamon Selligman, Washington Luiz A. Pereira, Diva Anélie de Araújo Guimarães
MANEJO DE Tayassu tajacu EM CATIVEIRO: ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL COMO RECURSO NA DIMINUIÇÃO DE ESTRESSE.

Eliana de Oliveira Serapicos; Myriam Elisabeth Velloso Calleffo; Flavio Elias Santiago do Nascimento & João Paulo Vieira Pires
AVALIAÇÃO FÍSICA E BEM-ESTAR DOS RÉPTEIS DESTINADOS AO LABORATÓRIO DE HERPETOLOGIA DO INSTITUTO BUTANTAN.

Ana Sílvia Sardinha Ribeiro, Alanna do Socorro Lima da Silva, Maria das Dores Correia Palha
OSTEODISTROFIA EM ONÇA-PRETA (PANTHERA ONCA) ATENDIDA EM SERVIÇO DE REABILITAÇÃO CLÍNICA DE ANIMAIS SILVESTRES RELATO DE CASO.

Ana Sílvia Sardinha Ribeiro, Alanna do Socorro Lima da Silva, Maria das Dores Correia Palha
TRIPANOSSOMOSE EM CAPIVARA (HYDROCHAERIS HYDROCHAERIS) MANTIDA EM CATIVEIRO NO MUNICÍPIO DE BENEVIDES, PARÁ RELATO DE CASO.

Maria Das Dores Correia Palha, Andréa Bezerra de Castro, Fabrício Araújo de Oliveira, Alanna do Socorro Lima da Silva, Ana Sílvia Sardinha Ribeiro
COMPONENTES VEGETAIS E ANIMAIS NA DIETA DE MUÇUÃS (Kinosternon scorpioides Linnaeus, 1766) EM CATIVEIRO ANÁLISE DE PALATABILIDADE.

Rosemar Silva Luz-Ramos, Alice da Silva Lima, Larysse Aquino Pedroza, Otávio Mitio Ohashi
QUANTIFICAÇÃO DE FOLICULOS OVARIANOS DURANTE O CICLO ESTRAL DE CUTIAS (Dasyprocta sp.), CRIADAS EM CATIVEIRO

Rosemar Silva Luz-Ramos, Alice Silva Lima, Otávio Mitio Ohashi, Caroline Silva Montes
ASPECTOS HISTOLÓGICOS DO OVÁRIO DE CUTIAS (DASYPROCTA SP.), CRIADAS EM CATIVEIRO, APÓS INDUÇÃO HORMONAL.

 

 

 


Mariana Tolentino Bento da Silva, João Vitor Campos e Silva, Andressa Barbara Scabin, Jaqueline Rizzi, Fortuna, Marina Anciães, Erik Johnson, Phil Stoufer,   Maria Uriatre
SOBREVIVÊNCIA DE AVES FRUGÍVORAS EM FRAGMENTOS DO PDBFF (PROJETO DINÂMICA BIOLÓGICA DE FRAGMENTOS FLORESTAIS) NA AMAZÔNIA CENTRAL

Resumo:
Descrever a variação na sobrevivência e dispersão de animais nos diferentes hábitats é muito importante para prever quais podem ser os efeitos da ragmentação da paisagem para as espécies. O consumo de frutos e o padrão de dispersão das sementes de algumas plantas, por exemplo, estará diretamente associado ao comportamento dessas aves. Esse estudo teve como objetivo avaliar a taxa de sobrevivência e dispersão entre áreas fragmentadas de diferentes tamanhos (1ha,   10ha e 100ha) de três fazendas, para isso analisamos as histórias de capturarecaptura de 6 espécies de Pipridae: Corapipo guturallis, Pipra pipra, Pipra erythrocephala, Lepidothrix serena, Schiffornis turdinus e Manacus manacus e de uma espécie de Mimidae: Turdus albicollis por um período de seis meses (junhodezembro/2007). Neste período foram capturados 738 indivíduos e recapturados 173 indivíduos, sendo 11 indivíduos de Manacus manacus com 1 recaptura, 18 de Corapipo guturallis e 2 recapturas, 83 de Pipra erythrocephala e 2 recapturas, 380 de Pipra pipra e 78 recapturas, 146 de Lepidothrix serena e 52 recapturas, 21 de Schiffornis turdinus e 9 recapturas e Turdus albicollis com 79 capturas e 29 recapturas. A área com maior número de capturas foi uma das áreas de 100ha com 193 registros, a espécie com maior número de capturas em todas as áreas foi Pipra pipra. Das recapturas de Schiffornis turdinus quatro foram do mesmo indivíduo e na mesma área, mostrando que essa espécie tem um território estabelecido. Entre áreas, tivemos recaptura das seguintes espécies: Pipra pipra que foi capturada na reserva de 10ha da fazenda Esteio e recapturada no fragmento do 1ha. O mesmo aconteceu com um indivíduo de Turdus albicollis nas mesmas reservas da Pipra Pipra. Em fragmentos menores, algumas espécies como Schiffornis turdinus não foram capturados. Com as informações geradas a partir desse trabalho concluímos que áreas maiores comportam mais indivíduos de diferentes espécies enquanto que nas reservas menores algumas espécies não foram capturadas mostrando a necessidade de áreas maiores e sem os efeitos da fragmentação, que são mais evidentes e severos nos pequenos fragmentos. Por outro lado, algumas das espécies observadas são capazes de atravessar a floresta secundária, indo de um fragmento para outro, mantendo assim o tamanho da sua área de uso depois da fragmentação e podendo dispersar sementes entre áreas, incluindo aquelas em recuperação.




Maria das Dores Correia Palha, Alanna do Socorro Lima da Silva, Jamile da Costa Araújo, Ana Sílvia Sardinha Ribeiro, Cláudio Douglas de Oliveira Guimarães
PARÂMETROS REPRODUTIVOS DE MUÇUÃS (Kinosternon scorpioides Linnaeus, 1766) EM CATIVEIRO SUBMETIDOS A DIFERENTES PROTOCOLOS ALIMENTARES

Resumo:
Muçuãs são tradicionalmente consumidos na Amazônia oriental e embora a caça seja proibida, ocorre clandestinamente. A criação da espécie em cativeiro pode contribuir para a conservação, desde que validada por pesquisa e respaldada por programa de monitoramento das populações em vida livre. Como parte dos estudos sobre muçuãs em cativeiro realizados em Belém, Pará, pelo Projeto Bio-Fauna/ISARH/UFRA, avaliou-se o desempenho reprodutivo (estações de 2006 e 2007) de três lotes (n=20/lote) de muçuãs adultos, em proporção sexual de 1:3, mantidos sob distintas dietas à base de ração comercial para peixe (Lote 2) acrescida de mix protéico (Lotes 1 e 3). Animais selecionados com base no desempenho reprodutivo, constituíram-se em diferencial ao Lote 3, formado a partir de seleção prévia dentre os muçuãs que apresentaram melhor desempenho reprodutivo na estação de 2005. No período analisado, as médias de peso corporal dos animais dos Lotes 1, 2 e 3, corresponderam a 446,7g, 440,7g e 455,6, respectivamente. As 267 posturas totais forneceram 775 ovos, obtendo-se os seguintes dados médios: 38,2mm de diâmetro maior, 20,5mm de diâmetro menor e 9,1g de peso. Os Lotes 1 e 3 se destacaram por apresentar ovos com maiores médias de peso e diâmetro (largura) (p<0,05). Fêmeas que receberam suplementação protéica apresentaram maior média de ovos (Lote 1=17 e Lote 3=20) do que as alimentadas unicamente com ração comercial (Lote 2=14). O período de nidificação se estendeu de abril a janeiro (Lote 1) e de abril a novembro (Lotes 2 e 3). Maior número de ovos foi obtido em junho, julho e agosto, totalizando 515 ovos no período, sendo 174 ovos (Lote 1), 144 ovos (Lote 2), e 197 ovos (Lote 3). Por ninhada, verificou-se um número máximo de ovos totalizando n=7 (Lote 3), n=6 (Lote 1) e n=5 (Lote 2). Para as condições adotadas no trabalho foi possível concluir que os animais que receberam suplemento protéico mostraram melhor desempenho reprodutivo (número de ninhadas, número de ovos, peso e largura dos ovos, média de ovos por fêmeas e período de nidificação) que os alimentados unicamente com ração comercial, destacando-se em termos gerais o Lote 3, que sofreu processo seletivo prévio com base em parâmetros corporais e desempenho reprodutivo.




Anndson Brelaz Oliveira, Paulo Cesar Machado Andrade, Hugo Ricardo Bezerra Alves, Midian Salgado Monteiro, Cléo Carvalho Ohana
CRIAÇÃO DE QUELÔNIOS (PODOCNEMIS SPP.) EM TANQUE-REDE POR COMUNIDADES DO MÉDIO E BAIXO AMAZONAS.

Resumo:
O manejo e a criação de quelônios em cativeiro na Amazônia vêm sendo desenvolvidos pelas comunidades como alternativa de renda, onde populações naturais diminuíram. Este trabalho, objetivou avaliar o sistema de criação de tracajás (Podocnemis unifilis), tartarugas (Podocnemis expansa) e iaçás (Podocnemis sextuberculata) em tanques-rede por comunidades do Médio-Baixo Amazonas, o desempenho em diferentes sistemas hídricos e determinar a melhor densidade de cultivo. Para avaliar a densidade em tanques-rede (20, 40 e 60 indivíduos/m³) e o desempenho de filhotes de quelônios em três sistemas hídricos diferentes, foram utilizadas unidades de criação em 10 comunidades (tanques-rede de 2 m X 3 m X 2 m) desde 2005. As variáveis foram comprimento, largura e altura da carapaça, peso, ganho diário de peso (GDP) e conversão alimentar (CA). O delineamento foi em blocos casualizados por áreas Terra Santa, Parintins e Barreirinha. Na análise de sistemas hídricos foram testados tanques-rede em rios de água branca (4 tanques), rios de água clara (3 tanques) e rios de água preta (3 tanques). Os tracajás, até 36 meses, em água clara apresentaram um melhor crescimento (P<0,078). As tartarugas, aos 34 meses, criadas em água clara  foram superiores (P<0,045) em peso (2383.5 g,) as de água branca (11074.25 ± 197.30 g) e preta (928.65 ± 197.74 g). Iaçás, até 22 meses, criados em água clara apresentaram crescimento superior (P<0,22) no peso (186.38 ± 46.41 g) as criadas em água branca (142.45 ± 35.10 g). O GDP de tracajás em água clara (0,26-1,16 g/dia) foi superior. A conversão alimentar de tracajás em água branca variou de 3,42-9,44:1, em água preta de 2,4-3,8:1 e em água clara de 4,4-10,12:1. A maior mortalidade foi o iaçá, 48,17%, seguida da tartaruga, com 24,33%, e o mais resistente, o tracajá,17,7% . Criações com 50-65 animais/m³ apresentaram uma tendência a ter maior ganho de peso. O parasitismo por sanguessugas foi o principal problema em tanques-rede (50%), principalmente, em águas pretas e claras. Esse sistema de criação apresenta lucratividade de 12 a 13%, sendo viável para populações ribeirinhas. Dos 4.693 quelônios criados, 3.037   atingiram a idade média de abate (24 -36 meses) com produção total de 1.426 kg, em média, 33,46% dos animais acima do peso legal para venda (1,5 kg), com biomassa para comercialização de 378 kg e receita líquida de R$ 3.846,00/tanque-rede/36 meses de cultivo. O peso médio das tartarugas e tracajás abatidos foram 1555,88 ± 26,94 e 771,94 ± 356,96 kg e produziram de carne (filé, pata traseira e dianteira) 473,58±8,20 e 234,96±108,65 kg, respectivamente.




Natalia Inagaki de Albuquerque, Áurea Linhares Martins, Igor Chamon Selligman, Washington Luiz A. Pereira, Diva Anélie de Araújo Guimarães
MANEJO DE Tayassu tajacu EM CATIVEIRO: ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL COMO RECURSO NA DIMINUIÇÃO DE ESTRESSE.

Resumo:
O caititu é uma espécie de potencial econômico, pela sua carne e couro bastante apreciados no mercado nacional e internacional. No entanto, a mesma ainda possui problemas de adaptação ao cativeiro, sendo as criações comerciais ainda recentes no Brasil. A Embrapa Amazônia Oriental junto com a Universidade Federal do Pará e um criadouro comercial, vem testando um sistema de criação, para aumentar a produtividade desta espécie em cativeiro, com bons resultados.  Tendo-se observado algumas mortes de recém-nascidos e adultos, este trabalho objetiva apontar as causas, assim como, apresentar uma solução para o problema.  Em 64 animais adultos (20 machos e 44 fêmeas), foram pesquisadas as causas de 4 mortes, com necrópsias realizadas pelo Laboratório de Patologia da Universidade Federal Rural da Amazônia. Também foram pesquisados óbitos de 7 filhotes de até 48 horas de vida, de um total de 76 nascimentos. Os animais foram divididos em 2 grupos de 10 baias (grupos A e B), com mesmas condições, excetuando o sistema de drenagem, onde o grupo B possuía o piso de sua área coberta molhado por chuvas. A pesquisa foi realizada em 2 períodos, onde no segundo as baias do grupo B receberam um estrado de madeira isolando os animais da umidade, igualando as suas condições às baias do grupo A. Ambos os períodos abrangeram épocas de chuva e tiveram um total de 38 nascimentos cada. Os 4 óbitos de adultos se distribuíram 3 no primeiro período e 1 no segundo, destes óbitos, 2 foram causados por processos patológicos do sistema respiratório, ambos no primeiro período e no grupo B. Os 7 óbitos de filhotes se distribuíram: Grupo A, 1 no primeiro período e 1 no segundo; grupo B, 4 no primeiro período e 1 no segundo. O resultado demonstrou um aumento significativo de óbitos de filhotes nascidos no grupo B, no primeiro período, quando as baias ainda não possuíam estrados de madeira. O trabalho também aponta esse fator ambiental como um possível incremento do estresse de cativeiro, o qual causou óbitos  também de adultos.




Eliana de Oliveira Serapicos; Myriam Elisabeth Velloso Calleffo; Flavio Elias Santiago do Nascimento & João Paulo Vieira Pires
AVALIAÇÃO FÍSICA E BEM-ESTAR DOS RÉPTEIS DESTINADOS AO LABORATÓRIO DE HERPETOLOGIA DO INSTITUTO BUTANTAN.

Resumo:
O Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan tem recebido, nos últimos anos, diversas espécies de répteis da fauna silvestre brasileira e exótica. O  número de animais, precisamente quelônios e lagartos doados ao referido Laboratório, tem crescido anualmente. Este fato é devido à superpopulação em Parques  Zoológicos e Criadouros, às apreensões do IBAMA, à livre comercialização em lojas de animais e, consequentemente, à falta de conhecimento relacionado ao manejo das espécies adquiridas, o que implica na saúde e bem-estar destes animais. A maioria das serpentes que chega ao Instituto Butantan é oriunda da natureza, e são capturadas por fornecedores cadastrados, os quais têm o intuito de prevenir acidentes ofídicos em suas residências e de contribuir com a produção do soro anti-ofídico, tradição há mais de 100 anos. Contudo, os quelônios e lagartos doados são, na sua maioria, provenientes de proprietários de animais que querem se desfazer da sua aquisição, muitas vezes devido à dificuldade ou completo desconhecimento do manejo em cativeiro da espécie em questão.  Este estudo tem como objetivo apresentar um levantamento sobre as condições de físicas dos répteis recém-chegados ao Laboratório de Herpetologia. Os resultados obtidos mostram que traumas, como atropelamentos, quedas, mordidas de cães ou roedores, assim como deficiências nutricionais, que podem causar deformidades ósseas, são os principais problemas decorrentes do manejo inadequado de quelônios e lagartos destinados ao Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan. A maioria das lesões observadas em serpentes é decorrente da captura e contenção física inadequada. O crescimento do animal e a necessidade de ambientes maiores para o pleno desenvolvimento do espécime adquirido, assim como patologias nutricionais, são os fatores principais que tem levado os proprietários destes animais a desfazê-los, ou ainda soltá-los, deliberadamente, em ambientes naturais. Atualmente, além da rotina de manutenção das diversas espécies de répteis destinadas ao Laboratório de Herpetologia, está sendo realizado um trabalho de reabilitação de alguns espécimes de quelônios e lagartos que chegam completamente debilitados e desnutridos, inviabilizando assim, a exposição pública ou projetos de pesquisa que envolva tais espécies.




Ana Sílvia Sardinha Ribeiro, Alanna do Socorro Lima da Silva, Maria das Dores Correia Palha
OSTEODISTROFIA EM ONÇA-PRETA (PANTHERA ONCA) ATENDIDA EM SERVIÇO DE REABILITAÇÃO CLÍNICA DE ANIMAIS SILVESTRES RELATO DE CASO.

Resumo:
A deficiência de cálcio tem sido uma das causas de doenças nutricionais mais frequentes em animais silvestres em cativeiro, com consequências sérias, pois há comprometimento do crescimento, da vida reprodutiva e até o óbito. Um filhote de Panthera onca, fêmea, com aproximadamente dois meses de idade, pesando 4 kg, adquirida através de comércio clandestino em feira livre de Belém, Pará, foi encaminhada ao Serviço de Reabilitação de Animais Silvestres do Projeto Bio- Fauna, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Exames clínico-laboratoriais apontaram diarréia, desidratação e verminose. Durante o período de reabilitação clínica, o animal apresentou redução da atividade física e claudicação, sendo posteriormente diagnosticada fratura completa cavalgada na diáfise proximal do fêmur esquerdo e fratura incompleta (patológica) na diáfise proximal do fêmur direito, com presença de desmineralização nas estruturas ósseas visíveis. Análises bioquímicas resultaram em uma concentração de cálcio inferior ao mínimo, confirmando o quadro de osteodistrofia. Não foi possível a realização da cirurgia reparadora, em função das estruturas ósseas não apresentarem consistência compatível com a colocação do pino intramedular, sendo o animal posteriormente imobilizado. As radiografias de controle evidenciaram o processo de formação de calo ósseo nos terços distal e proximal do fêmur esquerdo e a presença de fratura no terço distal da tíbia. Não foi observada a formação de calo ósseo na fratura do fêmur direito, havendo ainda a detecção de nova fratura (incompleta) no terço distal e fratura bilateral da asa do ílio. O plano de tratamento consistiu no uso de gluconato de cálcio, hidróxido de  alumínio e complexo vitamínico ADE. O hidróxido de alumínio foi usado como quelante para o fósforo visto que as dosagens desse mineral mostravam um desequilíbrio da relação Ca/P, com o fósforo apresentando taxas elevadas, agravando o estado do animal que apresentava respiração ofegante, debilidade física e constipação. Também fizeram parte do tratamento, banhos de sol e alimentação à base de cartilagem e de vísceras bovina e de frango. Através de monitoramento radiográfico foi possível constatar a consolidação das fraturas, com o animal apresentando-se ativo e movimentando-se normalmente, de acordo   com o comportamento esperado para a espécie, apesar do comprometimento do crescimento ósseo. A alta clínica ocorreu após 60 dias de tratamento, quando o   animal foi liberado para destinação sob responsabilidade de órgão ambiental federal.




Ana Sílvia Sardinha Ribeiro, Alanna do Socorro Lima da Silva, Maria das Dores Correia Palha
TRIPANOSSOMOSE EM CAPIVARA (HYDROCHAERIS HYDROCHAERIS) MANTIDA EM CATIVEIRO NO MUNICÍPIO DE BENEVIDES, PARÁ RELATO DE CASO.

Resumo:
A principal enfermidade das capivaras (Hydrochaeris hydrochaeris) é o mal das cadeiras, tanto em cativeiro como no ambiente natural. A prevalência de Trypanosoma sp. é maior em capivaras mantidas em fazendas (58%) do que nas capivaras de vida livre (27%). Esta doença é provocada por um protozoário (Trypanosoma sp.) que acomete também outros mamíferos como os cães, bovinos, búfalos, caprinos, equinos, camelos, quatis (Nasua nasua), pequenos marsupiais  (Monodelphis spp), veado (Odocoileus chirinquensos e Manzama sp.) ratos (Oryzomys sp.), onça (Panthera onca), morcegos (Desmodus rotundus) e tatus (Dasypus spp). Os animais afetados podem ter óbito em poucas semanas ou meses, apresentar infecções crônicas com evolução de muitos meses, havendo ainda os portadores assintomáticos. Este trabalho objetivou relatar um caso de infecção natural por Trypanosoma sp. em capivara, proveniente de um criadouro conservacionista no município de Benevides, Pará. O animal apresentava um histórico de emagrecimento progressivo, apatia, incoordenação motora e dificuldade de propriocepção. Ao exame físico foi observada desidratação, caquexia e comprometimento corporal geral, mucosas pálidas, apatia, debilidade física, edema de membros, febre, aumento dos linfonodos palpáveis e instabilidade dos membros pélvicos. A doença apresentou evolução com incremento dos sinais de prostração, fraqueza progressiva, emagrecimento progressivo, hiporexia progressiva, dificuldade de deglutição, diarréia sanguinolenta, paresia gradual dos membros posteriores e óbito. No esfregaço sanguíneo, foram identificadas formas flageladas pertencentes a Trypasosoma sp. Com base na sintomatologia clínica, epidemiologia e   resultado de exames complementares chegou-se ao diagnóstico de tripanossomose Mal das Cadeiras. Acredita-se que uma outra capivara encaminhada ao criadouro   pelo IBAMA, em período anterior, e que apresentou a mesma evolução clínica, tenha sido a fonte de infecção, pois elas estiveram em contato durante o período em que essa permaneceu na propriedade. A verificação desses casos serve de alerta aos proprietários de criadouros de animais silvestres e domésticos e aos responsáveis técnicos, para a presença da doença na região e salienta a necessidade de maiores investigações quanto a epidemiologia da parasitose e criação de medidas profiláticas que evitem novas infecções.




Maria Das Dores Correia Palha, Andréa Bezerra de Castro, Fabrício Araújo de Oliveira, Alanna do Socorro Lima da Silva, Ana Sílvia Sardinha Ribeiro
COMPONENTES VEGETAIS E ANIMAIS NA DIETA DE MUÇUÃS (Kinosternon scorpioides Linnaeus, 1766) EM CATIVEIRO ANÁLISE DE PALATABILIDADE.

Resumo:
O Kinosternon scorpioides, vulgarmente conhecido como muçuã, é um quelônio cuja distribuição geográfica em território brasileiro abrange a costa do Amapá, o  estuário amazônico e alguns estados do nordeste do país, sendo tradicionalmente apreciado como iguaria da culinária local. São vendidos ilegalmente em dúzias, pois apresentam peso e preço reduzidos. Visando conhecer aspectos da biologia básica e do desempenho de reprodutivo de animais em cativeiro, desde 2004, o Projeto Bio- Fauna/UFRA, Belém, Pará, conduz pesquisas direcionadas à espécie. Este estudo buscou avaliar a aceitação de distintos itens alimentares vegetais e animais (a saber: verduras, frutas, tubérculos e proteína animal in natura) pelos muçuãs. Os animais experimentais consistiram de adultos mantidos em dois lotes mistos (n=36/lote), em proporção macho:fêmea de 1:3. Os resultados são apresentados e discutidos, incluindo parâmetros quantitativos relacionados ao consumo. Em resumo, observou-se que os muçuãs aceitaram todos os itens testados, à exceção de berinjela. Para as condições adotadas neste trabalho, foi possível concluir que muçuãs adultos em cativeiro aceitam pescada-gó, pepino, goiaba, abobrinha, carambola, batata, cenoura, chuchu e beterraba em sua alimentação, nesta ordem de prioridade, com taxas de consumo cujos extremos variaram entre 94% e 22,3%. Novos testes são recomendados para ampliar a  diversificação qualitativa de itens alimentares para a espécie em cativeiro, incluindo produtos da biodiversidade amazônica, bem como para fornecer melhor avaliação das taxas médias de consumo.




Rosemar Silva Luz-Ramos, Alice da Silva Lima, Larysse Aquino Pedroza, Otávio Mitio Ohashi
QUANTIFICAÇÃO DE FOLICULOS OVARIANOS DURANTE O CICLO ESTRAL DE CUTIAS (Dasyprocta sp.), CRIADAS EM CATIVEIRO

Resumo:
A cutia é um roedor Caviomorfa de fácil manejo em cativeiro, onde reproduz-se de maneira satisfatória, necessitando de um espaço diminuto para o seu
desenvolvimento. É um dos animais silvestres que é bastante consumido pelas populações rurais, pois sua carne apresenta alto teor protéico. Assim este trabalho propõe avaliar qualitativamente e quantitativamente a população folicular ovariana durante o ciclo estral de cutias. Foram utilizadas 18 fêmeas adultas, as quais foram distribuídas em quatro grupos, sendo três pertencentes ao grupo 1 (estro), cinco ao grupo 2 (metaestro), seis ao grupo 3 (diestro) e quatro ao grupo 4 (proestro). Os animais foram submetidos a ovariectomia após identificação da fase do ciclo estral, a qual foi confirmada através da análise colpocitológica. Os folículos ovarianos foram classificados e contados nas diferentes categorias de pré-antrais e antrais. Os resultados revelam a duração do ciclo estral em média de 31,9 + 1,37 dias. Durante o ciclo estral foi detectado folículos pré-antrais normais nas diferentes categorias (estro, metaestro, diestro e proestro), e nas fases de metaestro e estro, o número de folículos secundários em degeneração foi superior quando comparados as fases  de diestro e proestro. O índice de folículos antrais normais foi baixo nas diferentes fases, exceto na fase de proestro. O número médio de folículos primordiais nas fases de estro, metaestro e proestro foi superior quando comparado com a fase de diestro. A média de folículos de transição na fase de metaestro foi superior as outras fases do ciclo, contudo semelhante entre as fases de (estro e diestro) e (diestro e proestro). A população de folículos primários na fase de proestro mostrou valor médio significativo em relação às fases de estro e metaestro, porém, semelhante à fase de diestro, da mesma forma ocorreu semelhanças no número médio de folículos entre as fases de (estro e metaestro) e (diestro e proestro). Já o valor médio da população de folículos secundários foi semelhante em todas as fases. Os dados obtidos sugerem a necessidade de um número amostral maior visando à implantação de biotécnicas da reprodução nesta espécie.




Rosemar Silva Luz-Ramos, Alice Silva Lima, Otávio Mitio Ohashi, Caroline Silva Montes
ASPECTOS HISTOLÓGICOS DO OVÁRIO DE CUTIAS (DASYPROCTA SP.), CRIADAS EM CATIVEIRO, APÓS INDUÇÃO HORMONAL.

Resumo:
A cutia é um roedor caviomorfa de fácil manejo em cativeiro que atinge a puberdade por volta de um ano. Os estudos básicos reprodutivos em cativeiro já foram elucidados e podem contribuir para aplicabilidade de biotécnicas, que possibilitem a detecção de problemas produtivos e reprodutivos, bem como na conservação destes animais. Este estudo visa avaliar histologicamente a gônada da fêmea após indução hormonal. Foram utilizadas 42 fêmeas e agrupadas em duas fases experimentais. No experimento 1, o grupo 1 recebeu 50UI FSH-LH-p, os grupos 2 e 3 receberam 30UI e 50UI de eCG, respectivamente, e o grupo 4 (controle) recebeu 0,9% NaCl. Todos os grupos com exceção do controle, receberam hCG. No experimento 2, os grupos 5, 6 e 8 receberam 50UI FSH-LH-p, 80UI FSH-LH-p e 40UI FSH-LH-p, respectivamente, todos associados à PGF2ﬡ. O grupo 7 recebeu 40 mg FSH-p1 + PGF2 e o grupo 9 (controle) recebeu 0,9% NaCl. Neste experimento, o grupo 6 e dois animais do grupo 7 e um do grupo 8 receberam hCG. Após indução e ovariectomia os ovários foram submetidos ao exame biométrico e processamento histológico. Todos os folículos préantrais e antrais foram classificados em normais quando apresentavam a membrana basal completa, ausência  de corpos picnóticos no núcleo do ovócito e sem sinais de degeneração do ovócito e das células da granulosa; e em degenerados quando os núcleos do ovócito e das células da granulosa mostravam-se picnóticos, e quebra da membrana basal. Morfologicamente, os ovários são ovóides de cor amarela e superfície lisa com pequenos relevos formados pelos corpos lúteos e grandes folículos. No experimento 1, o grupo 1 mostrou maior estimulação ovariana pela presença de inúmeros folículos de diversos tamanhos. Os grupos 2 e 3 mostraram número de folículos normais semelhantes ao grupo controle, sendo que o grupo 3 apresentou maior número de folículos atrésicos e luteinizados. No experimento 2, os grupos 5 e 8 se destacaram pela maior produção de folículos normais. Os grupos 6 e 7 mostraram menor estímulo ovariano com ocorrência de atresia e luteinização folicular semelhante ao grupo controle. A biometria dos ovários direito e esquerdo, foi semelhante entre todos os grupos analisados. Foi identificada a ocorrência de folículos poliovulares (2 a 4 oócitos), nas categorias de pré-antrais e antrais, entretanto, a presença destes folículos no ovário da cutia é considerada comum. Contudo, há necessidade de aplicar outros protocolos para definir o melhor efeito da gonadotrofina nesta espécie.